Uma pensão calculada com atraso, um período não registado, um direito relacionado com filhos nunca reclamado: este tipo de anomalia descobre-se muitas vezes após o depósito do requerimento, quando já é complicado voltar atrás. Boa notícia, tudo se verifica com antecedência. Eis os cinco controlos a fazer antes de pedir a reforma, para partir com um dossier completo e um montante que corresponda realmente à sua carreira.
Por que verificar o dossier de reforma antes de fazer o requerimento?
A liquidação da pensão de velhice assenta nas informações registadas no seu extrato de contribuições. Se um período não consta ou está mal reportado, o cálculo da pensão é diretamente afetado. Corrigir um erro após o requerimento da reforma demora tempo, às vezes vários meses, e atrasa o primeiro pagamento.
Antecipar estas verificações, idealmente dois a três anos antes da data de partida prevista, permite garantir o seu dossier e evitar uma decisão de reforma que não reflita a realidade do seu percurso profissional.
1. Controlar o extrato de contribuições linha por linha
O extrato de contribuições é acessível através da área pessoal da Segurança Social. Lista, ano a ano, todos os períodos de contribuição registados no âmbito dos seus empregos, bem como períodos equiparados. É o documento de referência sobre o qual se baseará o cálculo da sua pensão: qualquer lacuna aqui repercute-se mecanicamente no montante final.
Identificar períodos não registados e omissões
Percorra cada ano de atividade e compare-o com o número de períodos realmente validados. Uma mudança de empregador, um contrato de curta duração, uma missão no estrangeiro ou um estatuto de trabalhador independente são situações que frequentemente geram períodos não registados. Estas omissões resultam muitas vezes de falhas na transmissão de informações, não de erro da sua parte.
Comparar o extrato à sua vida profissional real
Reconstrua o seu percurso a partir dos seus recibos de vencimento, contratos de trabalho e atestados do empregador, e depois compare esta lista com o extrato oficial. Em caso de discrepância, deve reunir os comprovativos correspondentes antes de assinalar a anomalia, pois uma simples declaração sem prova geralmente não é suficiente para corrigir o dossier.
2. Verificar os períodos sem atividade: desemprego, doença, serviço militar
Certos períodos sem atividade laboral dão mesmo assim direito a contribuições, desde que devidamente registados. O desemprego com subsídio, as baixas por doença, a licença de maternidade e o serviço militar fazem parte disso, mas o seu registo no extrato nem sempre é automático, em especial para períodos antigos.
Se enfrentou um período de desemprego sem subsídio, uma doença prolongada ou cumpriu serviço militar antes dos anos 2000, verifique se estes períodos aparecem no extrato. Um comprovativo do IEFP, um registo da caixa de seguro de doença ou um estado de serviços prestados podem ser necessários para restabelecer estes direitos.
3. Garantir que os direitos relacionados com filhos estão bem contabilizados
Ter educado filhos abre direito a um aumento de contribuições, distinto da majoração de 10% concedida aos progenitores de pelo menos três filhos. Estas duas vantagens nem sempre são atribuídas automaticamente, sobretudo quando a repartição entre os dois progenitores nunca foi declarada à entidade competente.
Verifique que cada filho figura bem no seu dossier e que as contribuições acrescidas relacionadas com o seu nascimento ou adoção são visíveis no extrato. Para casais, é útil clarificar quem beneficia de que parte do aumento, pois uma repartição mal registada pode fazer perder contribuições a um dos progenitores.
Se contribuiu para vários regimes de reforma ao longo da sua carreira, cada entidade gere a sua própria parte do dossier. Um trabalhador que se tornou independente, ou um funcionário público que passou para o setor privado, deve verificar a coerência entre todos estes regimes: um esquecimento num deles pode não ser detetado pelos outros.
4. Otimizar a data de partida para não perder períodos ou montante
A escolha da data de partida em reforma influencia diretamente o montante da pensão. Partir alguns meses demasiado cedo pode impedir o acesso a um período completo, enquanto um pequeno adiamento permite às vezes beneficiar de uma majoração por duração de carreira, este aumento concedido por cada período trabalhado além da duração exigida e da idade legal.
Antecipar o impacto no cálculo da pensão
Para trabalhadores do regime geral da Segurança Social, a pensão calcula-se com base na média das remunerações registadas. Um ano de final de carreira com remuneração reduzida, a tempo parcial ou em cumul empreendimento-reforma, pode às vezes afetar este cálculo e baixar a média. Uma simulação de reforma realizada antes do requerimento permite visualizar concretamente o efeito de uma partida antecipada ou adiada no montante final.
5. Reunir e controlar todos os comprovativos antes do requerimento
Uma vez verificado o extrato de contribuições e corrigidas as anomalias, resta constituir um dossier completo: documento de identidade, identificação bancária, comprovativo de rendimentos, recibos de vencimento dos últimos anos e comprovativos dos períodos especiais referidos acima. Um dossier incompleto é a primeira causa de atraso no tratamento de um requerimento de reforma.
Apresente o seu requerimento através da sua área pessoal na Segurança Social em vez de por correio, isto facilita o acompanhamento e permite receber mais rapidamente eventuais pedidos de documentação adicional. Após o requerimento, dedique tempo a reler atentamente a decisão de reforma recebida: deve corresponder exatamente às verificações efetuadas previamente, caso contrário terá de iniciar um novo processo de correção, desta vez após liquidação.





